Água Quente Solar

Introdução

Situação actual

Medidas propostas

Conclusões

Água Quente Solar

Nesta página tem acesso a informação sobre o mercado da energia solar térmica em Portugal. O presente documento foi preparado pelo Grupo Temático “Energia Solar Térmica” do FORUM “Energias Renováveis em Portugal” e publicado, juntamente com os relatórios individuais de outros nove grupos, no Relatório Síntese do FORUM, disponível em Publicações.

Esta página será actualizada periódicamente por forma a disponibilizar informação útil sobre o mercado nacional de colectores solares, na sequência dos trabalhos desenvolvidos pelo Observatório.

INTRODUÇÃO

As tecnologias de conversão da energia solar em energia térmica têm desenvolvimentos distintos em função das gamas de temperatura necessárias. Para as aplicações que requerem baixas temperaturas (até 90ºC), tipicamente para aquecimento de água, existe uma tecnologia bem desenvolvida e madura – colectores estacionários, planos ou do tipo CPC de baixa concentração. Também está bem desenvolvida a tecnologia associada aos depósitos de armazenamento de água quente e existem regras de arte bem precisas para o dimensionamento e instalação de sistemas solares destinados a estas aplicações.

Desde os anos 70 que se desenvolveram os métodos necessários para a caracterização em laboratório dos equipamentos, não só quanto ao seu comportamento térmico, mas também nos aspectos relativos à verificação de requisitos mínimos de segurança e qualidade. Em 2000 foram aprovadas as Normas Europeias de requisitos e ensaio de sistemas solares térmicos e seus componentes que vão ser a base para a certificação destes produtos.

Nas temperaturas médias (90ºC a 150ºC) podem considerar- se dois tipos distintos de aplicações:

Os colectores solares utilizados nestas gamas de temperatura podem ainda ser colectores estacionários mas torna-se necessário que integrem mecanismos de redução de perdas térmicas como o vácuo e/ou a concentração (do tipo CPC, ainda inferior a 2).

Temperaturas superiores têm interesse em aplicações industriais e até na produção de energia eléctrica por via térmica mas as tecnologias utilizadas estão actualmente em fase de desenvolvimento e/ou demonstração.

Verificando-se que o mercado de colectores solares térmicos tem, em Portugal, uma dimensão muito inferior à de outros países, em alguns casos até com um recurso energético muito inferior ao nosso, coloca-se a questão de saber se existe em Portugal tecnologia ao nível dos outros países para dar uma boa resposta às solicitações e se existe um potencial de aplicação de colectores solares térmicos e qual é. Sendo a resposta às questões anteriores muito positiva, resta saber quais as barreiras que mesmo assim existem que limitam o desenvolvimento deste mercado e se estas barreiras podem ser reduzidas ou eliminadas através de acções concretas e quais as mais adequadas.

SITUAÇÃO ACTUAL

O trabalho realizado pelo Grupo Temático “Solar Térmico Activo” permitiu mostrar que o solar térmico activo, em particular o aquecimento de água com colectores solares, é uma forma de aproveitamento para a qual Portugal dispõe de um recurso energético de grande abundância - entre os maiores a nível europeu. Verifica-se também que Portugal dispõe de tecnologia, pelo menos ao mesmo nível do resto da Europa dos 15, existindo inclusivamente produtos inovadores no âmbito europeu.

Verifica-se, no entanto, que o mercado actual é muito pequeno e que as empresas que trabalham no sector são de um modo geral pequenas empresas com capacidades financeiras limitadas. Sente-se ainda a necessidade de formação de pessoal especializado em quantidade para desenvolver o mercado.

Foi feito um trabalho de levantamento do potencial de aplicação de sistemas solares térmicos activos em diferentes sectores: doméstico, indústria e serviços. No Quadro 1 apresentam-se os valores correspondentes ao potencial máximo de aplicação de sistemas solares térmicos para AQS e AQP até 2010 em Portugal.

Quadro 1 - Potencial Máximo de aplicação de sistemas solares térmicos

Para determinação de um potencial exequível no horizonte de 2010, consideraram-se diferentes factores de exequibilidade por sector. Na Figura 1 está o valor correspondente à área de colectores a instalar até 2010 considerando os referidos factores que são assinalados entre parêntesis à frente de cada sector. O valor total considerado exequível até 2010 é de 2 801 446 m2 a que corresponde uma energia útil produzida de 0.165 Mtep e uma energia final de 0.213 Mtep no ano de 2010.

Figura 1 - Área de colectores a instalar até 2010

Sendo o recurso abundante, estando a tecnologia disponível, existindo um vasto potencial de aplicação e sendo muito significativos os benefícios ambientais, é legítimo perguntar porque é ainda não se observou em Portugal o desenvolvimento do solar térmico activo, como se verifica noutros países europeus?

Para responder a esta pergunta foi feito um levantamento das barreiras ao desenvolvimento do solar térmico. A identificação de barreiras foi feita com base na experiência dos elementos do Grupo Temático, mas também ouvindo outras pessoas intervenientes neste sector em reuniões promovidas pelo FORUM “Energias Renováveis em Portugal”.

As barreiras identificadas foram classificadas em cinco grandes tipos: A. Elevado investimento inicial. B. Fraca credibilidade/má reputação. C. Pouco conhecimento por parte do grande público. D. Constrangimentos a nível da construção dos edifícios. E. Falta de informação credível sobre o sector.

MEDIDAS PROPOSTAS

Analisada cada uma das anteriores barreiras, de que se destaca o elevado investimento inicial e a fraca credibilidade/má reputação, foi possível propor um conjunto de acções que visam, por um lado, o reforço de incentivos já existentes, a criação de novos incentivos englobando o sector doméstico onde se encontra o maior potencial exequível e, por outro lado, a informação alargada sobre incentivos directos e fiscais, sobre os aspectos técnicos e de defesa do consumidor. No Quadro 2 faz-se uma listagem das medidas propostas. A cada medida é atribuído um grau de prioridade. É ainda indicado a consideração desta medida no recente Programa E4.

Quadro 2 - Acções propostas para eliminação das barreiras identificadas

Foram identificados custos para as referidas acções. Estes terão que ser postos, por quem decide, num prato da balança estando no outro os benefícios do ponto de vista de política energética e ambiental que se apresentam nas conclusões.

CONCLUSÕES

Mostrou-se claramente que existe um vasto potencial de aplicação, tendo sido possível determinar que existe um potencial exequível de instalação de uma área de cerca de 2.8 milhões de m2 de colectores. Foi possível através de uma técnica de Avaliação de Ciclo de Vida de sistemas solares térmicos do tipo "kit" (considerados por corresponderem aos de mais provável aplicação no sector doméstico, sector que apresenta um maior potencial exequível) determinar o impacto ambiental do solar térmico activo. O contributo plausível da energia solar térmica para a redução de gases de efeito de estufa (cenário credível, instalação dos kits a uma taxa anual média de 10 % e 50 % de reciclagem), em oito anos, representa cerca de 1.8% de redução das emissões totais de referência de 1990, no ano 2010. A energia solar térmica para aquecimento de água a baixa temperatura é vantajosa, quer do ponto de vista energético, quer ambiental, encerrando em si um potencial e significativo contributo de redução das emissões nacionais de GEE, extremamente favorável para o cumprimento do estipulado no âmbito do Protocolo de Quioto.

Existem ainda benefícios relativos à criação de postos de trabalho associados a um mercado anual médio da ordem de 250 000 m2 de colectores por ano, que se pode estimar em cerca de 2500 novos empregos.